sábado, 24 de outubro de 2009

(...) às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. no ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito (...) às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e jogar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo. às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. e partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar. porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. até se conformar e um dia então esquecer.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

é como se eu tivesse vendo seus passos, parece que consigo sentir suas decisões, talvez por te conhecer tão bem eu sinta aquele frio na barriga que algo de ruim está por vir. pode vir, pode tacar suas palavras como um cuspe de desprezo, pode dizer que quer se libertar, fala que não quer mais se prender, diz que vai dar outra chance, mais uma chance pra outro alguem diferente, pode dizer tudo isso. se isso depois for apenas mais um erro teu, eu vou entender, vou compreender, mas jamais vou ficar aqui para ver, não vo tá mais aqui pra te acolher. nunca mais vai ouvir falar da pessoa que construiu contigo sua primeira história de amor.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

a partir de um momento na sua vida, você começa a perceber que as coisas não são tão fáceis assim, como parecem ser, e que os conto de fadas, não passam de fantasias infantis. a partir de um momento na sua vida, você começa a amadurecer, e ver que são as coisas mais pequenas que merecem mais valor e atenção. a partir de um momento na sua vida, você percebe que o homem perfeito não existe, e que o príncipe montado no cavalo branco, nunca irá chegar para te amar. a partir de um momento na sua tão pacata vida, você percebe que as pessoas não são tão amorosas como parecem ser, e que as vezes é melhor enfrentar a realidade de frente e sem medo, do que fantasiar ainda mais sonhos que nunca serão realizados. mas apesar de ter a certeza que o príncipe encantado nunca irá chegar, que sonhos nunca viraram realidade se você não fizer por merecer, e que as pessoas não são tão amorosas e boas como aparentam, nunca deixe de sonhar, nunca deixe de fantasiar, nunca deixe de esperar o príncipe encantado, e nunca deixe de acreditar o máximo possível nas pessoas. pois o que realmente importa para que nossa vida seja melhor e com mais cor, e não pacata e sem alegria, é a nossa própria vontade, a vontade de querer mudar, a vontade de querer melhorar, a vontade de querer olhar para frente de cabeça erguida, sem medo de tropeçar. e se você tropeçar, não dê importância, pois isso só vai te ajudar para a próxima vez, você não tropeçar novamente. preste atenção, e veja que as coisas só são difíceis quando você deixa elas ficarem difíceis.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

seria como se eu fosse um sol, na mais simples tentativa de brilhar pela última vez. seria como se eu fosse o vento, na tentativa de ir longe pelo horizonte levando coisas que jamais pensei em conhecer, contudo, já não me lembrava de aprender. seria como se eu fosse uma janela, querendo olhar o mundo lá fora, cansada e com medo do escuro, querendo sair além, sentir o sol das manhãs iluminar-me e aquela brisa bater em minha face. à todo momento quis ter você, apenas não me lembrei de gritar o seu nome a todo momento, esperando que o vento leve até seus ouvidos as únicas palavras que aprendi a pronunciar enquanto estive do teu lado: me faz feliz, pois eu te amo. estou cansada de acordar e não sentir você do meu lado, cansada de sonhar com você e lembrar que já não posso mais lhe abraçar no meio da noite. escuto seu nome a todo momento dentro de mim, queria poder sair gritando aos quatro ventos que eu quero você pra mim, eu preciso de você em mim. quando olhei meu rosto e vi que havia marcas em meus olhos, os vejo escuros, sem vida, já não consigo mais sorrir, pois a todo momento eu lhe espero do meu lado e você já não está mais aqui. queria poder lhe dar um abraço, um último beijo e caminhar pela praia, como tantas vezes o fizemos. não quero mais viver ao lado deste amor que me corrompe, desta ânsia de viver, queria andar sobre as águas do mar, lembrando de você, dos momentos onde fui feliz, pois, eu estava contigo. penso que o mundo seria fácil em amar e esquecer, cansado desta dor que me destrói lentamente. procuro vida em mim, é como se eu tivesse me tornando uma máquina que enferrujou sem os seus carinhos, sem seus beijos. sei que não posso mais ter você, só quero que se lembre como sempre lembrarei, de como fui feliz ao teu lado e que mesmo a morte não separará nosso amor, pois não sinto nada, contudo, só sei amar você.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

talvez eu sempre tenha tido certeza de que não ia durar, e de alguma forma eu teria que seguir sem você, fingir que está tudo bem, sorrir mesmo que não tenha nenhum motivo. talvez por isso eu tenha tanto medo de deixar as pessoas se aproximarem, eu sempre me fiz acreditar que era feliz assim, sozinha. era apenas uma ilusão, eu sei. mas você apareceu e desestabilizou meu mundo, me fez pensar que a gente poderia dar certo. que com você eu poderia ser feliz de verdade. e provavelmente eu estivesse certa sobre viver uma ilusão, é difícil sim viver sozinha, mais é ainda mais difícil perder as pessoas que você mais ama, é ainda mais difícil descobrir que a pessoa que você ama, não sente o mesmo por ti. viver a realidade, saber que você não estará mais aqui quando eu acordar, é muito pior que fingir ser feliz, muito pior do que viver sempre sozinha, é muito pior que acreditar nas suas mentiras, é muito pior que viver minhas ilusões.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

não sei bem o que é, mas há algo presente em cada centímetro do teu sorriso que me dá vontade de chutar a porta que dá pra rua e sair correndo, sem saber onde fica a minha casa. há algo que me priva de usar todas as artimanhas que eu colecionei, que me faz esquecer todas as minhas frases de efeito e que faz com que tudo que eu faça/diga pareça de uma imbecilidade infantil. não sei bem o que é, mas há algo presente em cada palavra que tu me apontas, que sopra em meu ar essas bolhas de sabão. a trajetória dessas pequenas bolsas de ar é tão imprevisível, tão frágil, que eu fico com medo de tocá-las. e são tantas, essas bolhas, que eu não sei atrás de qual delas eu vou correr. aí eu fico parada, não ouvindo, não olhando e, sempre, invariavelmente, não sorrindo. eu fico sem saber o que fazer.